A sua criança e o teatro

ANTES DE UMA CRIANÇA COMEÇAR A FALAR, ela canta. Antes de escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar de pé, ela dança. Arte é fundamental para a expressão humana. (Phylicia Rashad)

Muitos já devem ter ouvido ou lido essa máxima em algum post nas redes sociais e concordado, descordado ou “nem ligado” para a verdade que trás esse pensamento. Phylicia Rashad é uma atriz, cantora e diretora americana que hoje tem 70 anos e suas multifacetas como artista nos conduz muito profundamente a esta reflexão que ela faz sobre a arte na infância.
Pode ser que muitos de nós nos questionamos o que pode ser considerado arte/artístico e levar em consideração que as expressões naturais de uma criança nada tem a ver com isso, porém, se paramos para analisar o comportamento mais comum entre as crianças é justamente colocar em prática todo o tipo de imaginação e criatividade quando estão livres: na brincadeira, numa conversa corriqueira com os pais, no relacionamento com outras crianças, num percurso de carro até algum lugar…quem nunca presenciou uma criança numa viagem de carro olhando pela janela e nomeando as coisas que ela avista na rua? Ou interpretando algum “personagem” que voa ao lado do carro em movimento? Ou mesmo distribuindo papéis cênicos para os pais, amigos ou irmãos numa brincadeira: “eu sou o rei e você (interlocutor) é a princesa”, “eu sou a sereia e você é o pescador”, “eu sou um peixe e você é um passarinho”…enfim, inúmeros são os momentos em que a criança se coloca em situação a imaginação, criatividade e artisticidade, ou seja, o que ela faz para se distrair está relacionado ao “fazer artístico”.
Você já deve ter ouvido falar em “processo criativo” o que é na linguagem artística justamente essa busca pela criatividade e inspiração, que não é nada mais que experimentação, brincadeira, prazer e imaginação! É praticamente uma brincadeira de criança!
Viu só? Ao relacionarmos as fases de um fazer artístico com o comportamento natural da criança vamos de encontro a essa reflexão de Phylicia Rashad, porque na infância a expressão artística é muito mais natural que em outras fases da vida, é tão natural que passa a ser orgânico e é feito de maneira imperceptível para a criança.
Nesse sentido, percebemos que o afastamento da arte vai se dando homeopaticamente durante o desenvolvimento da criança, não é ela que “deixa de gostar” de música, dança, artes visuais ou teatro ela simplesmente se afasta e a artisticidade vai deixando de ser orgânica e é onde os responsáveis entram com um papel importantíssimo para o infante: não permitir que esse espaço se alargue muito e estreitar a relação da criança com a arte, sempre!
Então de pronto se vê uma oportunidade de intensificar também a relação entre o adulto e a criança (agentes responsáveis: pais, avós, irmãos mais velhos, tios e responsáveis diretos): já se deu conta da riqueza que possui um momento entre adultos e crianças ao irem à um circo, por exemplo? Não é mágico e satisfatório o tempo que ambos passam em uma situação extremamente prazerosa e encantadora? Não se pode conhecer melhor um do outro (criança/adulto) quando estão praticando alguma atividade cultural juntos?
A resposta para todas as perguntas é “SIM”! Porque este momento é único e insubstituível, é o momento em que também podemos resgatar a criança que fomos e nos aproximar um pouquinho mais da experiência que a sua criança hoje pode estar vivendo!
Leve sua criança ao teatro, ao circo, a uma exposição! Quando sair de lá observe-a e note como seus olhinhos estarão brilhando! Converse com ela, pergunte, fomente os pensamentos dela, a imaginação, a memória! Pergunte quem foram os personagens mais marcantes, porque, qual o sentido daquele personagem no contexto, se ele parece com alguém que a criança conhece, traga o lúdico e artístico para o dia a dia!
Não se esqueça de perceber a criança como criança e valorizar a infância, fazer com que ela perdure por mais tempo no mundo infantil, onde a arte é orgânica, intensa e ensina naturalmente muito sobre o futuro.

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